Poesia de Escada

Ao cativante Marilton Nascimento

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Antes fosse a pedra dos rins de Leila, pobre menina!
Morreu tão jovem cuja culpa foi ter morado por 23 anos
Comendo poeira e dormindo dias a fio
Sem beber um copo de água pela falta da gota nas periferias.

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Era a chuva de balas queimantes
Em plena meia noite no final de linha da favela.
Jorge, homem alto, “moreno”, 17 anos, trajes suspeitos
Tropeçou na pedra ao voltar do trampo.

No meio do caminho tinha uma rocha
Tinha uma rocha no meio do caminho.
Fabiana olha pela última vez o espelho sujo
No banheiro inacabado do seu barraco.
Tomou a caixa de remédios de pressão da sua avó
Após receber um Não da dona do emprego e da grana.
Loira e amarelada que mora na Pituba.

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