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16 de dezembro de 2016 Com alguns meses de atraso, mas venho aqui, cara leitora ou leitor, apresentar algumas imagens do lançamento dos cadernos negros volume 39 o qual fui pela primeira vez na capital paulistana. Foram horinhas de realização de um sonho: eu, escritora!

Consciência Negra

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Minha consciência negra É a expansão da arte Feita por aqueles Que sentem a ancestralidade africana em seu âmago Todos os dias Herdada em milênios. Minha consciência negra Atravessa os horizontes, Ultrapassa as estatísticas, Vira o jogo. Promovendo reparações E assumindo o que lhe é por direito. Minha consciência negra Não depende do seu olhar, Ela advém de referências outras: Aqualtune, Dandara, Elisa, Lélia, Beatriz, Carolina, Conceição, Hildália, Vilma. Para dentro de mim, E no abraço com as irmãs Nessa luta milenar. Ana Fátima Disponível em Cadernos Negros - poemas afro-brasileiros, volume 39. São Paulo: Quilombhoje, 2016.

A natureza do verbo

O mar, o céu, a mata, Elementos que preenchem as sementes De minha aventura pela lida com a palavra. Esta dita, bem-quista E aludida em breves sonatas. Não diga nada! Calo a vergonha do ato de aprisioná-la Em terras nunca antes desbravadas Nas profundezas de minhas molhadas lembranças. Memórias de Além-mar. Caos de alforrias amorosas, Cais de abraços irmanados. A preta do meu lado Carrega comigo as correntes de amores bandidos. Recordações de paixões e desejos Voluptuosos. Passagens de sombras outras Seguidas em passos largos... Firmes como o ferro, Inoxidável como o aço. Da chama que forja o metal de Ogun Brotam rimas aguerridas, Complementares em tons e cores Irmanadas em temperatura e correntes Que fluem dos braços de Oxum. Ah! Ser Quilombos de Palavras... É vibrar quilombos de sonhos, Anseios, Quilombo de encontros e memórias. Quilombo em pretumes, anunciando Com espada em punho: Dandara e Zumbi estão em terra! (Ana Fátima dos Santos) Caderno...

ODUN - Encontro com escritoras negras

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Pense na felicidade de estar ao lado das minhas referências femininas!!! Dia 21 de outubro de 2016, na Katuka, Salvador-Ba Um encontro inesquecível com prosa, calor e muito de nós mulheres negras! Vamos!?

A caça prometida

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Aos artistas e tecelões do Brasil Aos prazeres da caça Aisha se deleitava diariamente: Vestir ajó alinhado na pegada de preta, Procurar um bom emprego, Farejar a oportunidade de crescimento intelectual, Seguir as marcas da carreira profissional Mais produtiva do momento. Armar o cerco ideal para as entrevistas escorregadiças, E por fim, Flechar a vaga ofertada Secamente No Mercado do risco. É... a caça prometida Agora abatida em Microempresa. Ainda há de ser reconhecida Por conduzir ao futuro A herança ancestral dos seus mais velhos, Das tranças, rendas, amarrações,... De um caminhar africano Em terras outras, Por vezes, Estereotipado em sua diáspora. Contudo, trajetória trilhada por irmãs e irmãos de tradição: Mulheres rendeiras, mães de santo, Artesãs e tecelãs. A bênção e licença aos que apontaram as possibilidades: Abdias do Nascimento, Mestre Dimas, Ilê Axé Opô Afonjá. Ilê Axé Iboro Odé, Comunidade Afro Bankoma. ...

A cartilha da autora século XXI

De mim, muito algo a desenrolar... Ser mulher é cheirar a ferida aberta Pulsar a flecha certeira Palmatória do mundo a acabar. Profissão escolhi, Estudos cumpri, Casa vigiei e arrumei. Mas meu deleite é outro: Letras a bailar Em papéis, telas e folhas; Perpetuar nas cabeças A alma de minhas histórias. Carregar pedras Para traduzir sentimentos e desejos: Mandamentos de autora! Pedras escritas e relidas Compromisso em ser mulher É reler e desdobrar A hélice das tramas de meus ancestrais Sem beber o amargor Do chicote malfeitor. Publicado na Antologia Poética Mulher Poesia , pela COGITO, 2016, p.16

Águas de Dandalunda

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Presente a Yemonja - fev. 2014 Foto: Marcio Neri Em Santiago do Iguape revi as matas de Ossayin. Pisei no engenho observei a miragem dos barcos dos Senhores rumo à igreja. Abracei a memória dos meus ancestrais e senti ares de minha casa para além do Atlântico. Mas retomei dos pensamentos pelas águas do Paraguaçu: aí foi uma kizumba só! Dancei samba de roda ginguei na capoeira casei amores nas quadrilhas de junho e sm piscar beijei meu preto no coreto da praça. No quilombo, olhares irmanados. O canto d'Os Bantos        me levou para o colo de Dandalunda e lá ninei meus sonhos aquilombei meus prazeres enfim, encontrei meu lar. Ana Fátima dos Santos (publicado em  Cadernos Negros vol. 37  - poemas afro-brasileiros, SP: Quilombhoje, 2014, p.26)