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ODUN - Encontro com escritoras negras

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Pense na felicidade de estar ao lado das minhas referências femininas!!! Dia 21 de outubro de 2016, na Katuka, Salvador-Ba Um encontro inesquecível com prosa, calor e muito de nós mulheres negras! Vamos!?

A caça prometida

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Aos artistas e tecelões do Brasil Aos prazeres da caça Aisha se deleitava diariamente: Vestir ajó alinhado na pegada de preta, Procurar um bom emprego, Farejar a oportunidade de crescimento intelectual, Seguir as marcas da carreira profissional Mais produtiva do momento. Armar o cerco ideal para as entrevistas escorregadiças, E por fim, Flechar a vaga ofertada Secamente No Mercado do risco. É... a caça prometida Agora abatida em Microempresa. Ainda há de ser reconhecida Por conduzir ao futuro A herança ancestral dos seus mais velhos, Das tranças, rendas, amarrações,... De um caminhar africano Em terras outras, Por vezes, Estereotipado em sua diáspora. Contudo, trajetória trilhada por irmãs e irmãos de tradição: Mulheres rendeiras, mães de santo, Artesãs e tecelãs. A bênção e licença aos que apontaram as possibilidades: Abdias do Nascimento, Mestre Dimas, Ilê Axé Opô Afonjá. Ilê Axé Iboro Odé, Comunidade Afro Bankoma. ...

A cartilha da autora século XXI

De mim, muito algo a desenrolar... Ser mulher é cheirar a ferida aberta Pulsar a flecha certeira Palmatória do mundo a acabar. Profissão escolhi, Estudos cumpri, Casa vigiei e arrumei. Mas meu deleite é outro: Letras a bailar Em papéis, telas e folhas; Perpetuar nas cabeças A alma de minhas histórias. Carregar pedras Para traduzir sentimentos e desejos: Mandamentos de autora! Pedras escritas e relidas Compromisso em ser mulher É reler e desdobrar A hélice das tramas de meus ancestrais Sem beber o amargor Do chicote malfeitor. Publicado na Antologia Poética Mulher Poesia , pela COGITO, 2016, p.16

Águas de Dandalunda

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Presente a Yemonja - fev. 2014 Foto: Marcio Neri Em Santiago do Iguape revi as matas de Ossayin. Pisei no engenho observei a miragem dos barcos dos Senhores rumo à igreja. Abracei a memória dos meus ancestrais e senti ares de minha casa para além do Atlântico. Mas retomei dos pensamentos pelas águas do Paraguaçu: aí foi uma kizumba só! Dancei samba de roda ginguei na capoeira casei amores nas quadrilhas de junho e sm piscar beijei meu preto no coreto da praça. No quilombo, olhares irmanados. O canto d'Os Bantos        me levou para o colo de Dandalunda e lá ninei meus sonhos aquilombei meus prazeres enfim, encontrei meu lar. Ana Fátima dos Santos (publicado em  Cadernos Negros vol. 37  - poemas afro-brasileiros, SP: Quilombhoje, 2014, p.26)

Amor Platônico

Primeiramente: #ForaTemer Pisando em ovos Beijei tua boca carnuda E te imaginei nua, Despida de preconceitos e medos. Receio ter dilacerado Tua virgindade, Intocada. Mas tem nada não! Amanhã, Democracia, Te mandarei flores e Um belo cartão escrito assim: Respeito, liberdade e Cidadania são direitos meus. Não os esconda de mim. Ana Fátima dos Santos Publicado na Antologia Poética Mulher Poesia . Salvador: COGITO Editora, 2016.

Espetáculo teatral SETE VENTOS de Débora Almeida

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(cartaz da peça em Salvador-Ba) Simplesmente amável! Se é que amar pode ser simples. De qualquer modo, o encanto sobre a apresentação dedicada e firme da atriz e dramaturga Débora Almeida me deixou maravilhada e ainda mais empenhada em minha missão enquanto escritora, mulher, negra. O espetáculo Sete Ventos é uma simbiose de amor, resiliência, ancestralidade e perspectiva de continuidade de nós mulheres negras dando passos firmes em um presente/futuro de prosperidade e fé.  Da infância, perpassando pelas jovens mulheres até a velhice, as mulheres de uma mesma família apontam diferentes questões que circundam a vida delas. Das repulsas que nós mulheres negras sofremos na vida desde a negação do corpo (em cabelo, nariz, boca, olhos) relembrando a pesquisadora Neusa Sousa em Tornar-se Negro (1983) pontuando que antes da negação da cor, a pessoa negra rejeita seu corpo que é violentado de todas as formas pelo racismo; ao forjar da personalidade (aquela que não sabe se ...

Rota da Ancestralidade, Palmares! (Okê Arô)

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A Dimas Santos, Baba mi Tantos séculos de resistência Fizeram,o negro firmar raízes, Florir estratégias de luta, Inundar de força seu canto, Queimar as injustiças dos intolerantes, Beijar o Alá de nossos ancestrais. Nosso caminhar é um rito Aquilombado nos braços de nossos orixás, E continuamente aldeado Na nossa matriz africana. Se no grito de Zumbi em guerra, Ogum se fez matéria, Das matas de Ossayin corre nosso sangue Para seguirmos nos ventos de Oya Nossa singularidade e amor. Nossa liberdade (re)nasceu em Palmares, Em Palmares alçaremos voo. Okê, axé que brota da terra. Okê, axé das águas que fluem, Palmarinamente, O nosso canto, Okê! Ana Fátima dos Santos (publicado em Cadernos Negros vol. 37 - poemas afro-brasileiros, Quilombhoje, 2014, p.25)